Duas das instituições mais influentes do mercado de commodities agrícolas — Rabobank e StoneX — projetam que o mercado global de café caminhará para um reequilíbrio significativo entre oferta e demanda a partir de 2026/27, trazendo os preços futuros de volta a níveis mais próximos das médias históricas. No entanto, ambas alertam que esse cenário ainda depende fortemente do clima e dos riscos geopolíticos, que têm ganhado peso crescente no setor.
Rabobank: Superávit de 7–10 milhões de sacas, forte recuperação do Arábica
Rabobank prevê safras abundantes de café e cacau no próximo ano. O banco estima que o mercado global de café registre um superávit de 7 a 10 milhões de sacas em 2026/27, impulsionado pela recuperação da produção de Arábica no Brasil.
Os preços futuros do Arábica devem oscilar entre US$ 2,50 e US$ 3,00 por libra.
Porém, a volatilidade de curto prazo deve continuar devido ao clima e ao cenário geopolítico.
Cacau deve manter trajetória de queda
Os preços do cacau devem seguir em declínio devido ao aumento da produção e à fraqueza da demanda.
Em 2026/27, a produção pode exceder a demanda em 403 mil toneladas, após um superávit de 328 mil toneladas na safra atual.
O crescimento vem sobretudo da América Latina e da Indonésia.
Carlos Mera, chefe da equipe de Mercados de Commodities Agrícolas do Rabobank, afirmou:
“A agricultura deixou de seguir apenas as regras de oferta e demanda — agora segue as regras da geopolítica.”
StoneX: Brasil pode atingir novo recorde — 70,7 milhões de sacas
StoneX também projeta uma forte recuperação da produção brasileira em 2026/27, com estimativa de 70,7 milhões de sacas, alta de 13,5% e acima do recorde de 67,6 milhões alcançado em 2020/21.
Entretanto, o cenário depende de condições climáticas favoráveis, destacou o analista Fernando Maximiliano, da StoneX. Embora a recuperação seja marcada, a produção ainda não atinge seu potencial máximo.
Arábica x Robusta
Arábica: 47,2 milhões de sacas (+29,3%).
Robusta: 23,5 milhões de sacas (–8,9%).
Desempenho por regiões
Minas Gerais: +21,1%, chegando a 17,2 milhões de sacas.
São Paulo: +75,6%, com retorno de áreas podadas e novas plantações.
Rondônia: +32%, alcançando 3,3 milhões de sacas.
Espírito Santo (Robusta): –15% devido ao estresse das plantas e ventos frios durante a floração.
Colheita abundante pode ajudar a recompor estoques globais
Uma supersafra brasileira permitiria a recomposição dos estoques mundiais, que caíram mais de 22 milhões de sacas entre 2021 e 2024.
